USP cancela 12 novos cursos por falta de verba
A crise orçamentária das universidades estaduais, além de gerar um impasse na atual greve de professores e funcionários -que em algumas unidades já ultrapassou os 45 dias- e de promover a contenção de recursos para o custeio e a manutenção das instituições, atinge o programa de expansão dessas escolas proposto pelo próprio governo estadual. Na USP (Universidade de São Paulo), de 18 novos cursos aprovados pelo Conselho Universitário para início já em 2005, 12 não constarão do manual da Fuvest por falta de dinheiro para a sua implementação (veja quadro).
Em seu novo campus na zona leste, dois dos 12 cursos anunciados (Tecnologia Musical e Mídias Digitais) não terão início no próximo ano.
Além disso, a universidade congelou a verba de custeio de suas unidades e reduziu os recursos de seus órgãos centrais, de acordo com Adilson Carvalho, da administração da universidade.
A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), depois de fechar 2003 com déficit orçamentário coberto por fundos de reserva da própria instituição, promove em 2004 cortes violentos em manutenção e custeio que somam R$ 6 milhões (quase 1% do orçamento da universidade) e suspendeu a contratação de novos funcionários que seriam feitas neste ano.
Para o reitor da Unicamp, Carlos Henrique de Brito Cruz, há margem apenas para uma expansão que não requeira admissão de novos professores. "Não estou falando em duplicar o sistema, mas em aumentá-lo um pouco, otimizando o que já existe com a ajuda de algum recurso para a construção de salas", diz.
Crise
A grande vilã da crise orçamentária, segundo as instituições, foi a queda na arrecadação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no Estado em 2003, em razão da redução da atividade econômica. Isso fez com que o orçamento das três universidades (composto com 9,57% do ICMS recolhido) ficasse altamente comprometido com o pagamento de funcionários e professores.
Antes disso, no entanto, já aconteciam problemas de ordem orçamentária. A Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), em 2002, recebeu R$ 29 milhões de verba suplementar destinada pelo governo Alckmin para o programa de expansão universitária. Acontece que, desse total, apenas R$ 9 milhões foram efetivamente empenhados na abertura de novos cursos, campi e vagas. O restante, ou seja, R$ 20 milhões, foram empenhados, principalmente, em gastos com pessoal.
fonte: Agora S.Paulo Online